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Polícia moçambicana acusa Renamo de atacar povoado no Sul do país

A Polícia da República de Moçambique (PRM) acusou hoje a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) de ter atacado de madrugada o povoado de Saute, na província de Gaza, Sul do país, tendo morto um tractorista em serviço.
“Eles [a Renamo] atacaram a população de Saute [no distrito de Chigubo] e mataram um tractorista que estava a trabalhar, abastecendo de água as populações afectadas pela seca”, disse à Lusa o porta-voz da PRM na província de Gaza, Jeremias Langa. O responsável acrescentou que a intenção dos alegados atacantes era encontrar uma das posições das forças de defesa e segurança na região, à semelhança do que aconteceu na madruga de Quinta-feira no centro de Moçambique. A Lusa contactou o porta-voz da Renamo, António Muchanga, que desmentiu a informação avançada pela polícia, tal como negou o ataque na madruga de Quinta-feira ao povoado de Zero, na província da Zambézia, considerando que há um plano da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, no poder) para “manchar a imagem” do seu partido. “É mentira, a Renamo não está envolvida nisso. Estou a dizer que é mentira”, sublinhou António Muchanga, acrescentando que se trata de “confrontos entre eles”. A informação sobre o segundo incidente envolvendo a Renamo em menos de quatro dias foi avançada pela Rádio Moçambique e confirmada depois à Lusa pelo porta-voz da PRM em Gaza. À semelhança do alegado ataque da Renamo na Quinta-feira ao posto das forças de defesa e segurança do povoado de Zero, de acordo com o porta-voz da PRM em Gaza, o novo incidente no distrito de Chigubo deu-se de madrugada, por volta das 02:00 horas. “Os trabalhos de perícia já estão em curso e também já temos lá uma equipa que está a garantir a segurança das populações”, afirmou Jeremias Langa, salientando que, apercebendo-se da chegada da polícia, os autores do ataque colocaram-se em fuga, em direcção a Funhalouro, na província de Inhambane (Sul), onde existe uma base da Renamo. Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, ameaça tomar o poder em seis províncias do Norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014. O líder da Renamo não é visto em público desde 9 de Outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda. Nos pronunciamentos públicos que tem feito nos últimos dias, Dhlakama afirma ter voltado para Sadjundjira, distrito de Gorongosa, mas alguns círculos questionam a fiabilidade dessa informação, tendo em conta uma alegada forte presença das forças de defesa e segurança moçambicanas nessa zona. A Frelimo e a Renamo têm vindo a acusar-se mutuamente de rapto e assassínio dos seus dirigentes. No dia 20 de Janeiro, o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, foi baleado por desconhecidos no bairro da Ponta Gea, centro da Beira, província de Sofala, centro de Moçambique e o seu guarda-costas morreu no local. A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo e que se encontra bloqueado há vários meses. O Presidente moçambicano tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição e que só negociará depois de tomar o poder no centro e Norte do país.
Polícia moçambicana acusa Renamo de atacar povoado no Sul do país Polícia moçambicana acusa Renamo de atacar povoado no Sul do país Reviewed by Zacarias Maputire on janeiro 30, 2016 Rating: 5

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